domingo, 20 de setembro de 2020

Velhos diários

Sabe quando a gente abre o armário na casa dos pais procurando alguma coisa velha, ou pra fazer faxina e encontra o próprio diário? Quem já ficou olhando aquelas paginas, relendo as coisas, pensando como alguma situação era absurda ou nem lembrava mais de todas aquelas duvidas e questões? 
Quantos de nós não tivemos vontade de escrever no fim daquelas paginas amareladas e dizer: "Oi, eu voltei, tanta coisa mudou, preciso te contar" como a gente conversa com velhos amigos? 
Essa pagina está amarela. Eu provavelmente trocaria muita coisa por aqui, se fosse voltar a escrever mas não se troca a capa dos nossos cadernos né? Mesmo a capa escolhida pra ser nosso diário reflete quem a gente era no momento que decidiu começar. 

O que eu tenho pra contar. Começa com o fim do ultimo post. Eu estou namorando a mais de dois anos. Bati meu recorde *cornetas e confetes ao fundo*. Ele é fofo, ele se importa e cuida muito de mim, a gente não passa mais de 5 horas sem se falar se os dois estiverem acordados. Ele me apoia em todas as decisões malucas e "segura minha pata" quando eu preciso. Ele sabe pedir abraço, e eu estou aprendendo com ele a fazer o mesmo. Ele me ensina a pedir ajuda, a pedir carinho, a admitir tristezas, por que ele está lá me ouvindo todas as vezes. Eu o amo e ele me ama. E pela primeira vez meu sonho de ter a minha casa, pequena e ensolarada, agora está virando o sonho de ser a nossa casa, pequena ensolarada e cheia de pelo de gato. 
Ah é, e ele é Ace, ele tem mais crushs do que eu e nenhum de nós faz nada sobre os crushs (e mesmo assim a gente conversa bastante sobre nós dois e as possibilidades), e ele foi em quase todas as consultas médicas pós operatórias comigo, cheio de orgulho.

O que entra no segundo assunto, eu operei finalmente! 1 de 3 sonhos realizados! Eu consegui um cirurgião que eu confiei, minha mãe foi comigo nas consultas pré operatórias e no dia em si, ela é incrível e eu tenho muita sorte de ter ela como mãe. Eu só não tenho coragem de sair no sol sem camisa ainda por medo de manchar a cicatriz, por que faz menos de um ano. Mas o médico já me dispensou, não preciso voltar mais lá e me sinto super bem. 

Falando em sorte, e talvez conquista, eu estou estudando de novo! Computação, por que "quem sai aos seus não degenera", eu levei anos pra admitir que eu gosto disso apesar de não querer seguir os passos do meu pai, nem do meu irmão a bem da verdade. Mas aqui estou eu, com apoio de um grupo muito maravilhoso pra pessoas trans, estudando e tentando (de novo) uma nova carreira. 

E falando em apoio, eu finalmente sosseguei, em questão de amigos. Eles são minha família não de sangue. Eu amo cada um deles, mais do que eu amo a mim mesmo, e olha que eu tenho auto-estima. 
Eu adoraria fazer mais por eles, mas nunca sei como, então tudo que eu faço é pegar minhas tochas e ancinhos quando algo faz mal a qualquer um deles, brigar com eles quando são eles não se cuidam, e dar todo o amor que eu posso nas horas vagas. 

Dá pra dizer que eu estou no melhor da minha vida até hoje? Dá sim. Por mais que o mundo esteja literalmente pegando fogo, a Amazônia, o Pantanal, na California, a Australia antes, e tantos outros lugares que eu não sei. O descaso dos presidentes ao redor do mundo, tanto na ecologia como na saúde básica com a pandemia do covid19. A falta de perspectiva desses lideres de nação mudarem, de pessoas melhores serem eleitas, de ter esperança pra humanidade em si. 
Apesar disso tudo, na minha pequena bolha de vida pessoal, eu realmente me sinto bem. 

Quem sabe o que eu vou escrever próxima vez que achar esse diário? 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

e afinal, o que mais?

É curioso o passar do tempo não?
em outubro, 11 meses atras, eu escrevi. E terminei falando de um cara, o popular da escola só que na vida depois dela.
e devo dizer que em poucos meses eu era seu melhor amigo. Quoted.









E a vida segue, impiedosamente.
como eu disse, eu tenho a minha lista. eu sou quem eu sou, e tem que aceitar essas coisinhas basicas e um pouco mais, e desse quote aqui:" A minha lista é
Eu sou Trans (nb).
Eu sou Ace.
Eu sou Poli.

(outras coisas importam muito menos, então não estão na lista, mas são coisas como, eu odeio falar no telefone. E pessoas grudentas. E pessoas que não gostam ou conversam com meus amigos. Tem que saber se virar, ou topar aprender. Essas coisas são mais.... discutíveis)"

and then you find a guy that is  (almost) all of it
if he wanted
but
lack comunication
and is Aro

i believe

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Crushes e Heteros e Garotas e Gênero e tudo o mais

Olha, tudo começou quando eu terminei um namoro bem ruim pra nós dois.
E eu percebi que tenho uma lista. Se a pessoa não for 100% ok com as coisas dessa lista, não vai rolar nada. (depois preciso pensar em por que rolar algo sequer importa, mas é assunto pra depois)
A minha lista é
Eu sou Trans (nb).
Eu sou Ace.
Eu sou Poli.

(outras coisas importam muito menos, então não estão na lista, mas são coisas como, eu odeio falar no telefone. E pessoas grudentas. E pessoas que não gostam ou conversam com meus amigos. Tem que saber se virar, ou topar aprender. Essas coisas são mais.... discutíveis)

O ponto, é que eu sou Trans, não-binário. Eu prefiro pronomes masculinos a femininos, e amo a tentativa das pessoas de reconstruir a própria linguagem pra falar de forma sem gênero.
Então se me falam, "não consigo te chamar de outra coisa alem de namoradA" a coisa pega um pouco.
E veja bem, o problema não é o pronome em si. O problema pra mim é que uma pessoa que só me vê no gênero feminino, não me vê totalmente, então esta se enganando com uma imagem que não é real. Então nunca vai dar certo, porque a pessoa não me quer, não gosta de mim de fato, mas da imagem que tem de mim.

Eu sou Ace. Pra complicar, eu sou gray-assexual, então eu meio que topo sexo uma vez a cada seis meses, talvez mais. E eu gosto muito de beijar. E provocar é divertido também! Mas eu não vou lidar com genitais. Fim.
Não me importa como as pessoas façam sexo. Seja como quiserem, desde que todas as partes estiverem de acordo.
Eu só não vou estar de acordo que façam comigo. Simples né?

Eu sou Poli. Eu vou gostar de pessoas, mesmo que eu ame profundamente alguém. Eu possivelmente vou amar profundamente mais de uma pessoa ao mesmo tempo, porque pra mim, cada amor é tão único como a pessoa que eu amo. E não existem duas pessoas iguais.
E amar uma pessoa não fara eu amar outra menos. O que é mais provável é eu querer apresentar todo mundo e ver todas as pessoas que eu amo o máximo possível. E é exatamente como eu faço com meus amigos. Por que um relacionamento seria diferente?


Quando eu terminei esse namoro que não foi nada bom pra nós, eu fiz essa lista, e decidi que só poderia namorar de novo se essa lista fosse respeitada. E ai bateu o panico.
Você tem noção de como é difícil achar pessoas que entendam, de verdade, não só da boca pra fora,  um único item dessa lista? Imagina os três, de uma vez só! E ai, depois disso, as personalidades tem que combinar, tem que rolar um sentimento verdadeiro, alguma pitada de química, uma paridade básica de interesses. Vai acontecer? Eu acho que nunca. Mas acho que vale a pena ter disposição pra encontrar.
 Eu gosto de dramatizar essa parte, então vai ter que me perdoar por isso.

E ai a vida segue. Mas eu comecei a reparar num cara, mas ele gostava de outro cara que não queria nada sério com ele.
Imagine a novela mexicana. Eu tentei chama-lo pra sair em uma bolha de tranquilidade da novela. Não me aceitou.

E a vida ainda segue. Eu reparei num garoto muito educado, pra descobrir que ele era perdidamente apaixonado pela melhor amiga, que estava num relacionamento longo com nenhuma infelicidade pra indicar qualquer possibilidade de termino. Enfim, ela fadada a felicidade conjugal, e ele não.
Acabei falando algo sobre meu interesse nele. Recebo um "eu imaginei".

E aqui eu preciso explicar os medos que tive nos dois casos.
O primeiro era um cara Gay. Eu como nb, não sou um cara. Eu sei que ele me dispensou por gostar de outra pessoa. Mas fica a duvida... Se eu fosse um cara. Mesmo um homem transicionado. Será que eu tinha uma chance?
Ou, dizendo melhor, por que eu tenho a sensação de ter menos chance com os homens gays e as garotas heteros, por não ser um homem, e mais ainda, um homem completamente transicionado?

O segundo cara era hetero. Vamos então ao meu problema com heteros. Se ele gostasse de mim, ele não estaria vendo somente meu lado feminino? O que iria acontecer se eu passasse um longo tempo mais masculino? Raiva? Frustração? Indiferença (o que leva a indiferença a algo que é importante pra mim) ? E se eu fizesse alguma mudança física? ( seios, voz, barba são as mudanças físicas mais perceptivas que eu consigo pensar agora )
Parando pra pensar, isso também é valido para um cara gay, só que "contra" meu lado feminino.
E olhando novamente meu medo de ter menos chances, eu teria menos chances com um cara hetero por não ser feminina boa parte do tempo? E depois de transicionar em alguns pontos, ser meio como um cara?

Será que eu só me sentiria confortável com alguém bi? E ainda mantem a exigência de entender que eu sou nb. Talvez se eu encontrar alguma outra pessoa nb, poli.....



Mas a vida segue impiedosamente.
E aqui estou eu, gostando muito de conversar com um moço fofo. Ele é tudo que eu quis quando adolescente, e nada do que eu preciso nessa lista. Mas ele também é muito do que eu preciso agora, por me incentivar, e acalmar, e conversar comigo com muito mais tranquilidade do que eu consigo lembrar de já ter feito. E eu me sinto só.
Eu não quero perde-lo. Então quando ele vem falar das garotas bonitas, e divertidas, e como ele tem assunto com elas, tudo que eu posso fazer é me agarrar ao meu lado Poli e ser feliz enquanto ele for feliz. E torcer pra que a garota que influenciar ele mais, também seja minha amiga.

(Enquanto isso, heteros que eu tenho certeza que não entendem que eu sou trans, me querem. Eu tenho um corpo feminino bonito. E odeio isso. Mas acho que isso é assunto pra outro post)

terça-feira, 7 de junho de 2016

35 fatos atualizados sobre mim

Maldito Lucifer me pediu 35 fatos sobre mim. Mas eu vou trapacear e usar alguns de 2013, inclusive por que muita gente aqui nem me conhecia ainda XD
Deixe um sticker fofinho pra ganhar um numero.


1 - Tenho uma cicatriz no rosto, e você provavelmente nunca percebeu.

2 - Aceitem eu não gosto de paçoca. Ou manteiga de amendoim. Ou a maior parte das coisas que tem amendoim.
Só que o próprio, puro e sem frescura, e talvez com um pouco menos de sal, eu como de boas.

3 - Não como carne de mamíferos. Sim, bem específico. Mas tenho tentado diminuir a carne de modo geral na minha vida. É mais difícil por não morar sozinho.

4 - Eu acho que meu pecado capital é a inveja. Ainda estou pensando sobre isso.

5 - Ainda em pecados, eu tenho ciumes de coisas materiais.
Os meus brinquedos, não pegue sem pedir. Sério, odeio!

6 - Mas das pessoas eu tenho ciumes quando alguém tem o "papel" que eu queria na vida da pessoa. (BFF, date. crush, seilah.) Mas se eu estou no papel que eu quero, até incentivo ter mais amigos XD

7 - Se eu pudesse, não gastava tempo dormindo, comendo ou qualquer outra necessidade por ser um ser vivo. Nenhuma mesmo.

8 - Eu confundo coisas que tem nomes que eu acho parecidos. Principalmente com letras em comum. Tipo a Vila Mariana com a Vila Madalena. Tem algo nos sons que eu confundo. Pra escrever eu tambem troco F por V, com uma facilidade irritante. E inverto letras na hora de digitar.

9 - Eu era uma criança meio estranha. Noção zero de sociedade. Fui melhorando com o tempo e olha no que deu =p
Mas me zoaram bastante na época da escola, não que meus pais soubesse. E não que tivesse nada que eles conseguissem fazer mesmo que eu tivesse falado.

10 - Sempre gostei de cores. Tinha fascinação por aquelas caixas de 48 cores da Faber-Castel. Tenho mais habilidade pra colorir do que pra desenhar. (Eu acho pelo menos)

11 - A primeira balada externa, ou seja, que não fosse organizada pela faculdade, que eu fui foi esse ano. E ai fui em mais duas, e marquei outra pro meu aniversário. Parece que eu achei legal né?

12 - Eu sou mais velho que todos os meus amigos da minha faculdade. E que quase todo mundo da minha sala. E boa parte dos veteranos. E eu ADORO ISSO!

13 - Eu odiava que chegassem perto de mim, me abracassem, tocassem meu cabelo, demostrações de afeto, qualquer coisa. Agora eu sou um gato dado mesmo, se eu gosto das pessoas e estou num ambiente confortável. Mas se eu disser sai de perto, é melhor sair.

14 - Meu cabelo já foi: Liso, encaracolado, ondulado, com tons vermelhos, com tons muito claros, já teve undercut, já teve cabelo no ombro, já chegou na cintura, já foi muito curto, já cortei em barbeiros e em cabeleireiras, e agora to pensando se faço ele ficar mais anjinho ou hades da disney. Duvidas.

15 - Eu sou Asexual. Ou seja. não gosto de sexo. Nunca achei divertido, não entendo a piração de quem gosta. Overrated.

16 - Quando eu nasci, minha tia me deu um lindo pinguim. Ele se chama Pinguino, obvio. Quando eu fiz 18 ela me deu outro, filhotinho. Tenho os dois, um em cada casa que eu mais uso.

17 - Eu tive um livro fenomenal sobre a história da China, contado por gerações. Eu perdi. Isso me frustra num nível que poxa. Muito.

18 - Eu sou um gato de Cheshire. Por que eu sou um gato, mas não muito desse mundo não. A Raposa discorda, pra ela eu sou um gato-de-pallas. Como ele é fofo, eu aceito. XD

19 - Gosto de contar histórias, mas não sou um primor nisso.... Teve uma vez que eu consegui inventar uma história e conta-la totalmente de improviso. Foi mágico.

20 - Odeio filmes de terror, séries, jogos, histórias, tudo. Eu sei que vou ter medo do que eu imaginar e ver pelo resto da vida então não quero saber, ok? Você pode achar uma fraqueza, mas eu me considero muito forte de aceitar essa realidade e não mais participar de coisas de terror por que os outros querem.

21 - Eu gosto de vestidos e saias e gostaria de usa-los mais. Mas entre sociedade, vestido e eu, ainda não rolou um bom acordo.
Quem sabe um dia.

22 - Eu tenho as vezes uns panes nas ideias e falo coisas sem bizarras. Tipo, o fim da piada dentro da pergunta. Ou repito a mesma coisa infinitamente até as pessoas querem me matar, ou simplesmente não consigo pronunciar alguma palavra que acabei de falar. Brinco que deve ser algum nível leve de dislexia.

23 - Adoro assistir amigos jogando, especialmente os jogos que eu não quero jogar. O que é bastante coisa por que só tenho jogado LEGO e Just Dance.

24 - Eu não tenho o costume de assistir coisas. Videos no youtube, gifs, séries, filmes, desenhos. Nada.
Mas se me chamarem pra um role de fazer alguma dessas coisas é bem possível que eu tope. Não é que eu abomine, só tenho coisas que me interessam mais pra fazer que assistir.
E amigos sem duvida estão bem alto na pilha de interesses.

25 - Eu era uma pessoa muito amor e flores e paciência com todo mundo. Sei não mas isso ta indo embora. Não gostei, quero voltar a ser Zen.

26 - Queria não ter um útero. Pronto falei. (Nem seios, por que que inferno eles são!)

27 - Eu fiz um curso de desenho em 2008. Os desenhos que eu fiz lá são melhores do que qualquer coisa que eu consiga fazer hoje em dia. Preciso descobrir por que e melhorar mais.

28 - Acho que todo mundo sabe, mas Adoro batata. Prepare uma batata que não esteja puro carvão e eu to feliz. Também adoro brócolis, couve-flor, cenoura, tomate, massas em geral, queijo....

29 - Acredita que eu sou um chato pra doces? Chocolate não pode ter coisas dentro (tipo crocantes), não gosto de bala nem chiclete nem pirulito. Em festa de aniversário só como brigadeiro, e pode acontecer de nem o bolo eu provar. Um chato, enfim.

30 - To colecionando pessoas pelo assunto que elas gostam. Tenho pessoas-referência pra filmes, quadrinhos, podcasts, animação de animais, projetos manuais, cosplays, roupas, robôs gigantes, literatura, politica, advocacia, economia, e por ai vai.
(claro que eu gosto e converso com as pessoas alem disso, mas se eu precisar, eu tenho a quem procurar)

31 - Eu digo isso pra quem pergunta, mas pra quem não pergunta ta ai. Prefiro que evitem usar pronomes comigo. Sabe, construir frases sem gênero.
Como a língua portuguesa é um saco, quando não da pra fazer uma frase assim, usa o masculino, só pra eu saber que você se importa, ok? Agradeço muito aos que já fazem isso, seus fofos!

32 - As vezes, eu penso em inglês. Eu acho que é uma forma de me acalmar e pensar devagar, porque eu tenho que reformular tudo varias vezes até achar as palavras certas. Mas ai é uma desgraça se eu preciso falar depois em português, por que não vai ficar tão bom como eu tinha pensado em inglês.

33 - Nunca me entendi com porque, por que e por quê, gente, eu escrevo como eu penso mas não tem diferença no som de nenhum deles!

34 - Eu gosto de fazer cosplays, mas levo muito tempo fazendo e tenho ideias meio loucas entre custo, dedicação e qualidade.... E quando usa-los. Então acabei fazendo muito poucos até hoje. Prontos mesmo só tenho a Sailor Netuno. Quero mudar coisas no Arqueiro Verde, melhorar a Wendy do Peter Pan e terminar o Hans, de Frozen. O próximo será a Morte, na minha versão.

35 - Não gosto de bebidas alcoólicas, nem gosto do efeito que elas causam na minha mente, nem do gosto de álcool. Só bebo um pouquinho quando sei que é gostoso mas cansei de beber por que tão me enchendo pra isso. XD
(Mas gostei de arak, que é um bagulho forte que só! )

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Um pai?

Dando um pouco de contexto, eu não pretendo ter filhos. Não ligo pra essas coisas de manter o sobrenome da família, não me importo com questões de sangue, não ligo com propagar meus genes. 
E especialmente, eu não vou ter um ser dentro de mim. Gravidez é impensável. Vou chocar em dizer que chega a ser repugnante quando em mim. Vamos deixar claro que em qualquer outra pessoa não, isso é quando eu penso em mim, ok? Ok.

Mais um pouco de informação pra você. Tem dois filhotes novos em folha em algum grau de proximidade da minha família. O que significa que agora eu tenho aniversários pra ir em que corro o risco de ter bebês colocados no meu colo, e acompanhar um pouco o crescimento e desenvolvimento de novos seres humanos. Fascinante e assustador ao mesmo tempo. Parece que nenhum deles eu vou influenciar na formação, não são casas que eu frequento mais que um par de vezes ao ano. Mas eu vou ser parente de fundo e tudo bem. Sabe aqueles tios e tias, primos incontáveis que você nunca lembra o nome, lembram de você e você tem que perguntar sempre pra alguém como essa pessoa é parente? Vou ser tipo isso.

Ainda relacionado, mas nem tanto. Eu mudei de curso, e como mudei de curso as chances era que a minha turma nova seria inteiramente mais jovem que eu. Dito e feito, tem uma pessoa mais velha e nem conta por que nem vai na aula. Então eu me divirto brincando que são todos meus filhotes, e eu de fato cuido deles de alguma maneira. Virei representante de classe, tento acompanhar todos os avisos e estar disponível pra todos se precisarem de mim. Ajuda que a turma é de fato muito legal não tem rixas internas pesadas ou coisas assim. Até brinquei que vou levar doces no dia das crianças e quero presente do dia dos pais. Perguntaram:  E no dia das mães, não vai querer presente não? Mas já tinha passado, mancada pedir presente em retrocesso.

Hoje, inesperadamente, passei a tarde com uma criança, mais velha que os filhotes da família e definitivamente bem mais nova que os filhotes da aula. As primeiras impressões foram: Criança mimada e ciumenta, desesperada por atenção. E dito e feito. Eu e uma amiga fomos assistir um filme na casa da meia irmã da criatura, e assim que a dita criatura cansou de ver o filme com a gente, começou a ficar na frente da TV, a atirar coisas na meia irmã, a arrastar coisas pelo chão, e ninguém da família ia lá catar ele e impor respeito.
A irmã gritava pela mãe, a mãe gritava da cozinha pedindo pra ele ir lá, ele ignorava e o caos ficava assim.
Eu me cansei desse absurdo, pra falar a verdade, mas eu não podia levantar e impor uma regra que seria esquecida assim que eu fosse embora. Mas ficar sem fazer nada não tava dando.
Depois de algumas tentativas tímidas de fazer a criança se comportar, e comecei a apelar. Usei o método da minha mãe, de falar baixo, olhar nos olhos e me fazer entender claramente. Pra isso eu tive que catar a criatura pelo braço, tentando não machucar, claro.
E funcionou! Magicamente tudo acalmou. Claro que a vontade de atenção tava ali, mas não tão irritante. Passou um tempo no próprio quarto jogando, uma criança normal. Veio um amiguinho e ficaram brincando sem atrapalhar.
Quando o amiguinho foi embora, toca a criança a enfiar a cara na TV de novo. Eu simplesmente catei ele, sentei com a gente, jogando num celular sem conexão com internet e nós assistindo TV.
A paz de um fim de tarde em família.
A mãe até estranhou que o diabrete tava comigo, e tranquilo.

Isso me deu o que pensar.
Nos tempos de escola eu não tinha nenhum respeito dos mais novos. Na perua pra voltar pra casa, era motivo de piada facilmente. De mais velhos também. Mas eu cresci aparentemente. E talvez agora eu seja capaz de, de fato, controlar uma criança o suficiente pra ela não se matar por ai. Talvez até ensinar alguma coisa.
Claro, no caso de hoje, ajudou que ele se encantou comigo de alguma forma mágica das crianças. E por isso eu imagino que me escutou um pouco.
Mas será que um dia eu teria a capacidade de ser pai?
Será que eu vou querer?
Obviamente, eu não embarcaria nessa sem companhia e sem comprometimento 100% de mais alguém, não confio em mim e não tenho razão pra ter uma criança só minha.
Então preciso primeiro estar em um relacionamento estável, e todo mundo envolvido topar, e então começar a pensar os principios basicos de como ensinar e o que é essencial ensinar. E ai a parte pratica de como ter essa criança e cria-la e alimentar e tudo o mais.
Mas me deixou com a duvida, será que eu seria um pai decente?
(por sinal, o pai do diabrete em questão não foi citado pois estava em casa e não saiu do próprio quarto em momento algum. Que exemplo *ironia* )