sexta-feira, 28 de março de 2014

#NinguémMerece

Não me importa os números absurdos, se são exagerados ou não.
A verdade é que existe abuso sexual, de mulheres, de homens, por ser lésbica, por ser gay, por ser atraente, por não ser, por ser trans, por ser jovem, por ser tudo ou por estar passando na rua.

Teve uma campanha na internet e com as hashtags #NinguémMerece, #EuNãoMereçoSerEstuprada em que tu acha os posts sobre isso.

Parei e pensei em como eu posso ajudar. Então armei o cenário mais neutro possível e onde tinha um espelho grande o suficiente, e escrevi nas minhas costas. #NinguémMerece ser #VitimadeAbuso.
A tinta ainda não saiu totalmente, mesmo depois de um banho. Gastei metade de um lápis de olho, isso por que desisti da caneta. Mas tá lá a foto, sem camisa, palavras em negro sobre a pele, boné, óculos e celular.

Tirei de tarde, mandei de noite. E o medo?  Não deixei família ver, muito medo mesmo.
Mandei, dois segundos e alguém manda um chat. O coração voa pela boca. Eu senti ele batendo mais forte contra o esterno.
Abri, falamos sobre feminismo. Pra variar, achava todas as atitudes feministas corretas, mas as ideias do que é feminismo erradas. Espero corrigir isso ainda.
Likes, contar pras pessoas, ver o evento onde organizaram.
Nunca leia os comentários. Nunca!

Tenho medo que usem essa foto sem eu saber, sem eu deixar, pra algo ruim. Tenho medo de sofrer represália por algo que acho certo. Tenho medo de perder oportunidades por ser quem eu sou. Tenho medo de sofrer e não mudar nada, não valer a pena.

Mas tirar a foto, preparar tudo, escrever. Tirar a camisa pra tirar uma foto. Deu orgulho. Foi bom. Eu estou fazendo alguma coisa. Timidamente, passos pequenos. Com muito cuidado e com várias tentativas.
Mas fiz. Está feito, publicado e visto.

Espero que alguém, eu talvez, tenha mais coragem de se vestir como quer. Ser quem quer e não se importar com o que as outras pessoas pensam. Não ter medo.

Pra registrar. Pra não esquecer. Pra dar forças.
http://naomerecoserestuprada.tumblr.com/

terça-feira, 25 de março de 2014

"tchau menino macho" ou o dia em que cortei o cabelo.

Eu conheci uma pessoa, achei que essa pessoa tinha me achado interessante. Cortei o cabelo e tentei entrar no papo de gênero, mas a vida atrapalhou e não consegui. Nos despedimos com essa pessoa me zuando com "tchau menino macho".

E agora eu tô aqui com vergonha do meu cabelo, coisa que não me aconteceu nunca desde que eu comecei a sair do armário.
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Foi assim. Sai da minha sala e vi a pessoa chegando na própria sala.
Fui lá, bater papo. Primeira coisa que me fala é:
-Oque que você fez - mexendo na parte de trás do meu cabelo.
-Tosei.
-Mas assim parece um menino.
-é a ideia.
-Como assim é a ideia? -(Eu acho que o brilho de divertimento apagou dos olhos nessa hora).
- É a ideia oras.
Passou uma outra pessoa, comprimentou e seguiu.
-Viu, tão até te comprimentando como um moleque.
-Eu sei, me lembra uma vez incrível em que eu nem tava fazendo o esforço de parecer, e os caras super estranharam. Foi incrível.
-E hoje você está fazendo o esforço?
-Sim.
Mas ai chegou mais gente, e ficaram conversando sobre relatório de física, e depois foi cada um pra um lado e não consegui conversar direito.

Espero poder ver, conversar e esclarecer hoje.
Espero que de tudo certo, espero não ter tentado algo que vai doer.
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Eu gosto do meu cabelo, tenho orgulho dele curto.
É pratico, é legal, é diferente, e já faz algum tempo que tenho usado assim. Mas quando cresce um pouco, e ai eu corto de novo, as pessoas estranham, e essa foi a primeira vez que isso me afetou.
Espero que seja a ultima.

sábado, 22 de março de 2014

Romance em doze linhas (complementado)

Romance em doze linhas


quanto tempo falta pra gente se ver hoje
quanto tempo falta pra gente se ver logo
quanto tempo falta pra gente se ver todo dia
quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre
quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto tempo falta pra gente se ver às vezes
quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos
quanto tempo falta pra gente não querer se ver
quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu
(Bruna Beber)


quanto tempo falta pra gente se rever
quanto tempo falta pra gente se reaproximar
quanto tempo falta pra gente se reapaixonar

quanto tempo falta pra gente se juntar de novo
quanto tempo falta pra gente aprender com o passado
quanto tempo falta pra gente se amar e não largar mais
(Chalu Oliver)

segunda-feira, 17 de março de 2014

amores

Quando se tem carinho mas não tem assunto, as coisas ficam complicadas.


Eu gosto de amores impossíveis. Eles me alimentam.
Sabe aquela pessoa que é parente/ex/está em um relacionamento com/pessoa importante pra alguém importante pra vc, qualquer coisa complicada do gênero?

Ou, sei lah, é alguma dessas coisas ou todas, de vc? Pior ainda, quando tem o combo de ser importante pra vc E pra alguém com quem vc se importa.

Essas pessoas são impossíveis, causaria uma situação de desconforto, seria complicado, colocaria muitas relações já estabelecidas em jogo.
Pooois, é.
Eu vivo me apaixonando por pessoas assim.
Alguém que importa, alguém da família, alguém da outra família, acho que só me falta me apaixonar por ex de alguém.
Já briguei (temporariamente graças aos deuses) com alguém importante por que sai com alguém, que no final, não era importante.
Se ao menos fosse...
Agora eu queria mostrar Gotas pra minha inspiração, dizer que as pessoas gostaram, ter orgulho, dizer, olha o quão legal é algo que tem você. Mas não posso, por que é errado, e não vale arriscar o que se tem, pelo que se pode ter.

Acho que todos os amores impossíveis são impossíveis, por que a balança não gira a esse favor. Se vale a pena arriscar tudo por esse amor, então ele não é impossível, é só difícil e complicado.
Mas se não vale a pena arriscar tudo por ele, ele não vale a pena lutar. Mas isso não me impede de querer. E ai fica essa paixão platônica, em que eu desejo, eu procuro, eu quero, mas tenho que me segurar por que sei que não vale os riscos envolvidos.

Será que se um dia valer a pena, eu vou ter coragem de arriscar?
Fica a dúvida.... Eu gosto tanto de paixões platônicas, que pode ser que eu nunca ache que vale tirar a pessoa do pedestal e arriscar que não seja tudo isso....

sábado, 1 de março de 2014

Gotas


Tinha uma gota d'água.
Era uma simples gota, nada demais. E. 
Eu queria tocar aquela gota, ser aquela gota.
Não, eu queria tocar aquela gota, até que ela escorreu, e então eu queria ser a gota, e correr. E outras gotas se juntaram e nós, todas gotas, crescemos.
Ah, a sensação de correr! E corar.
Mas aí eu vi outra gota pingar, e fiquei com inveja, e quis ser aquela outra gota. Ela estava mais alto, e portanto tinha mais caminho pra percorrer, e mais tempo também. Eu quis ser essa gota.Você já viu o caminho de uma gota?
Descer correndo muito longe sem folêgo sem parar sem desvios.
E parar.
Fazer voltas, ir e vir, quase horizontal...
Suave, Rápida, Louca.
Eu quis tocar as gotas, e percorrer seus caminhos com os dedos, até você virar e me perguntar o que eu estava fazendo. E eu responderia tranquilamente, "Sendo uma gota.".

Nas suas costas.

E então beijaria as gotas, e seus ombros, e sua nuca, e o cabelo molhado, e te abraçaria e percorreria suas costas com dedos suaves, como as gotas.
E depois voltaria ao meu canto, em paz.
Mas não fiz, e você virou e passou por mim, se enxugou, se vestiu, e dormiu.
E eu fiquei no meu canto, com sede.
De gotas.