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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Crushes e Heteros e Garotas e Gênero e tudo o mais

Olha, tudo começou quando eu terminei um namoro bem ruim pra nós dois.
E eu percebi que tenho uma lista. Se a pessoa não for 100% ok com as coisas dessa lista, não vai rolar nada. (depois preciso pensar em por que rolar algo sequer importa, mas é assunto pra depois)
A minha lista é
Eu sou Trans (nb).
Eu sou Ace.
Eu sou Poli.

(outras coisas importam muito menos, então não estão na lista, mas são coisas como, eu odeio falar no telefone. E pessoas grudentas. E pessoas que não gostam ou conversam com meus amigos. Tem que saber se virar, ou topar aprender. Essas coisas são mais.... discutíveis)

O ponto, é que eu sou Trans, não-binário. Eu prefiro pronomes masculinos a femininos, e amo a tentativa das pessoas de reconstruir a própria linguagem pra falar de forma sem gênero.
Então se me falam, "não consigo te chamar de outra coisa alem de namoradA" a coisa pega um pouco.
E veja bem, o problema não é o pronome em si. O problema pra mim é que uma pessoa que só me vê no gênero feminino, não me vê totalmente, então esta se enganando com uma imagem que não é real. Então nunca vai dar certo, porque a pessoa não me quer, não gosta de mim de fato, mas da imagem que tem de mim.

Eu sou Ace. Pra complicar, eu sou gray-assexual, então eu meio que topo sexo uma vez a cada seis meses, talvez mais. E eu gosto muito de beijar. E provocar é divertido também! Mas eu não vou lidar com genitais. Fim.
Não me importa como as pessoas façam sexo. Seja como quiserem, desde que todas as partes estiverem de acordo.
Eu só não vou estar de acordo que façam comigo. Simples né?

Eu sou Poli. Eu vou gostar de pessoas, mesmo que eu ame profundamente alguém. Eu possivelmente vou amar profundamente mais de uma pessoa ao mesmo tempo, porque pra mim, cada amor é tão único como a pessoa que eu amo. E não existem duas pessoas iguais.
E amar uma pessoa não fara eu amar outra menos. O que é mais provável é eu querer apresentar todo mundo e ver todas as pessoas que eu amo o máximo possível. E é exatamente como eu faço com meus amigos. Por que um relacionamento seria diferente?


Quando eu terminei esse namoro que não foi nada bom pra nós, eu fiz essa lista, e decidi que só poderia namorar de novo se essa lista fosse respeitada. E ai bateu o panico.
Você tem noção de como é difícil achar pessoas que entendam, de verdade, não só da boca pra fora,  um único item dessa lista? Imagina os três, de uma vez só! E ai, depois disso, as personalidades tem que combinar, tem que rolar um sentimento verdadeiro, alguma pitada de química, uma paridade básica de interesses. Vai acontecer? Eu acho que nunca. Mas acho que vale a pena ter disposição pra encontrar.
 Eu gosto de dramatizar essa parte, então vai ter que me perdoar por isso.

E ai a vida segue. Mas eu comecei a reparar num cara, mas ele gostava de outro cara que não queria nada sério com ele.
Imagine a novela mexicana. Eu tentei chama-lo pra sair em uma bolha de tranquilidade da novela. Não me aceitou.

E a vida ainda segue. Eu reparei num garoto muito educado, pra descobrir que ele era perdidamente apaixonado pela melhor amiga, que estava num relacionamento longo com nenhuma infelicidade pra indicar qualquer possibilidade de termino. Enfim, ela fadada a felicidade conjugal, e ele não.
Acabei falando algo sobre meu interesse nele. Recebo um "eu imaginei".

E aqui eu preciso explicar os medos que tive nos dois casos.
O primeiro era um cara Gay. Eu como nb, não sou um cara. Eu sei que ele me dispensou por gostar de outra pessoa. Mas fica a duvida... Se eu fosse um cara. Mesmo um homem transicionado. Será que eu tinha uma chance?
Ou, dizendo melhor, por que eu tenho a sensação de ter menos chance com os homens gays e as garotas heteros, por não ser um homem, e mais ainda, um homem completamente transicionado?

O segundo cara era hetero. Vamos então ao meu problema com heteros. Se ele gostasse de mim, ele não estaria vendo somente meu lado feminino? O que iria acontecer se eu passasse um longo tempo mais masculino? Raiva? Frustração? Indiferença (o que leva a indiferença a algo que é importante pra mim) ? E se eu fizesse alguma mudança física? ( seios, voz, barba são as mudanças físicas mais perceptivas que eu consigo pensar agora )
Parando pra pensar, isso também é valido para um cara gay, só que "contra" meu lado feminino.
E olhando novamente meu medo de ter menos chances, eu teria menos chances com um cara hetero por não ser feminina boa parte do tempo? E depois de transicionar em alguns pontos, ser meio como um cara?

Será que eu só me sentiria confortável com alguém bi? E ainda mantem a exigência de entender que eu sou nb. Talvez se eu encontrar alguma outra pessoa nb, poli.....



Mas a vida segue impiedosamente.
E aqui estou eu, gostando muito de conversar com um moço fofo. Ele é tudo que eu quis quando adolescente, e nada do que eu preciso nessa lista. Mas ele também é muito do que eu preciso agora, por me incentivar, e acalmar, e conversar comigo com muito mais tranquilidade do que eu consigo lembrar de já ter feito. E eu me sinto só.
Eu não quero perde-lo. Então quando ele vem falar das garotas bonitas, e divertidas, e como ele tem assunto com elas, tudo que eu posso fazer é me agarrar ao meu lado Poli e ser feliz enquanto ele for feliz. E torcer pra que a garota que influenciar ele mais, também seja minha amiga.

(Enquanto isso, heteros que eu tenho certeza que não entendem que eu sou trans, me querem. Eu tenho um corpo feminino bonito. E odeio isso. Mas acho que isso é assunto pra outro post)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Um pai?

Dando um pouco de contexto, eu não pretendo ter filhos. Não ligo pra essas coisas de manter o sobrenome da família, não me importo com questões de sangue, não ligo com propagar meus genes. 
E especialmente, eu não vou ter um ser dentro de mim. Gravidez é impensável. Vou chocar em dizer que chega a ser repugnante quando em mim. Vamos deixar claro que em qualquer outra pessoa não, isso é quando eu penso em mim, ok? Ok.

Mais um pouco de informação pra você. Tem dois filhotes novos em folha em algum grau de proximidade da minha família. O que significa que agora eu tenho aniversários pra ir em que corro o risco de ter bebês colocados no meu colo, e acompanhar um pouco o crescimento e desenvolvimento de novos seres humanos. Fascinante e assustador ao mesmo tempo. Parece que nenhum deles eu vou influenciar na formação, não são casas que eu frequento mais que um par de vezes ao ano. Mas eu vou ser parente de fundo e tudo bem. Sabe aqueles tios e tias, primos incontáveis que você nunca lembra o nome, lembram de você e você tem que perguntar sempre pra alguém como essa pessoa é parente? Vou ser tipo isso.

Ainda relacionado, mas nem tanto. Eu mudei de curso, e como mudei de curso as chances era que a minha turma nova seria inteiramente mais jovem que eu. Dito e feito, tem uma pessoa mais velha e nem conta por que nem vai na aula. Então eu me divirto brincando que são todos meus filhotes, e eu de fato cuido deles de alguma maneira. Virei representante de classe, tento acompanhar todos os avisos e estar disponível pra todos se precisarem de mim. Ajuda que a turma é de fato muito legal não tem rixas internas pesadas ou coisas assim. Até brinquei que vou levar doces no dia das crianças e quero presente do dia dos pais. Perguntaram:  E no dia das mães, não vai querer presente não? Mas já tinha passado, mancada pedir presente em retrocesso.

Hoje, inesperadamente, passei a tarde com uma criança, mais velha que os filhotes da família e definitivamente bem mais nova que os filhotes da aula. As primeiras impressões foram: Criança mimada e ciumenta, desesperada por atenção. E dito e feito. Eu e uma amiga fomos assistir um filme na casa da meia irmã da criatura, e assim que a dita criatura cansou de ver o filme com a gente, começou a ficar na frente da TV, a atirar coisas na meia irmã, a arrastar coisas pelo chão, e ninguém da família ia lá catar ele e impor respeito.
A irmã gritava pela mãe, a mãe gritava da cozinha pedindo pra ele ir lá, ele ignorava e o caos ficava assim.
Eu me cansei desse absurdo, pra falar a verdade, mas eu não podia levantar e impor uma regra que seria esquecida assim que eu fosse embora. Mas ficar sem fazer nada não tava dando.
Depois de algumas tentativas tímidas de fazer a criança se comportar, e comecei a apelar. Usei o método da minha mãe, de falar baixo, olhar nos olhos e me fazer entender claramente. Pra isso eu tive que catar a criatura pelo braço, tentando não machucar, claro.
E funcionou! Magicamente tudo acalmou. Claro que a vontade de atenção tava ali, mas não tão irritante. Passou um tempo no próprio quarto jogando, uma criança normal. Veio um amiguinho e ficaram brincando sem atrapalhar.
Quando o amiguinho foi embora, toca a criança a enfiar a cara na TV de novo. Eu simplesmente catei ele, sentei com a gente, jogando num celular sem conexão com internet e nós assistindo TV.
A paz de um fim de tarde em família.
A mãe até estranhou que o diabrete tava comigo, e tranquilo.

Isso me deu o que pensar.
Nos tempos de escola eu não tinha nenhum respeito dos mais novos. Na perua pra voltar pra casa, era motivo de piada facilmente. De mais velhos também. Mas eu cresci aparentemente. E talvez agora eu seja capaz de, de fato, controlar uma criança o suficiente pra ela não se matar por ai. Talvez até ensinar alguma coisa.
Claro, no caso de hoje, ajudou que ele se encantou comigo de alguma forma mágica das crianças. E por isso eu imagino que me escutou um pouco.
Mas será que um dia eu teria a capacidade de ser pai?
Será que eu vou querer?
Obviamente, eu não embarcaria nessa sem companhia e sem comprometimento 100% de mais alguém, não confio em mim e não tenho razão pra ter uma criança só minha.
Então preciso primeiro estar em um relacionamento estável, e todo mundo envolvido topar, e então começar a pensar os principios basicos de como ensinar e o que é essencial ensinar. E ai a parte pratica de como ter essa criança e cria-la e alimentar e tudo o mais.
Mas me deixou com a duvida, será que eu seria um pai decente?
(por sinal, o pai do diabrete em questão não foi citado pois estava em casa e não saiu do próprio quarto em momento algum. Que exemplo *ironia* )

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Finais

A vida é de fato curiosa.
Eu tive de certa forma o final de um relacionamento essa semana. Mas não um relacionamento romântico, como todo mundo imagina logo de cara.
Um dia desses no Facebook, eu vi algum post falando que finais de amizade podem ser tão conturbados e emocionalmente pesados que finais de romances, mas que não existe nada falando disso. Não tem musicas, não tem filmes, talvez tenha poemas, mas eu não sei sobre poemas. Nada podia me preparar, alem de histórias dentro de outras histórias.
O complicado, é que as histórias dentro de outras histórias tendem a ser trágicas. Brigas entre amigos por uma mulher. Por honra. Por dinheiro. Mas o assunto da história é a mulher, a honra, o dinheiro.
Pra falar a verdade, eu encontrei uma unica história em que o fim da amizade entre as moças é tranquila, daquele tipo "cada um pro seu lado". Mas isso é absolutamente ignorado na adaptação do livro pro cinema. Ninguém está acostumado com isso afinal de contas. E era uma história dentro da história maior.
Enfim, voltando a minha semana. Eu vi que a minha melhor amiga, mas que eu não falava a muito tempo, tinha me excluído do Facebook. ah, como esse lugar pode criar confusão. Pra falar a bem da verdade, eu chamava ela de melhor amiga por questão de hábito. Não falava com ela fazia meses. A ultima conversa de abrir o coração e contar os problemas fazia ainda mais tempo. Manutenção de relacionamento ("olha, eu preferia que você fizesse/ não fizesse...." ou conversas sobre nós ) fazia  tanto tempo que eu nem sei quando foi. Mas ela foi minha melhor amiga por tantos anos, que não pensa nela assim é estranho. Sabe apelidos dos ex namorados, pra identificar um do outro? O legal, o idiota, o cara de pato, sei lah eu. Então, eu diferenciava ela das outras pessoas por, Minha Melhor Amiga.
E então, fui procurar alguma coisa no perfil dela e vi o botão de adicionar amigo. A quanto tempo ela tinha me excluido? Ela tinha algum problema comigo? Eu esperava que ela pelo menos falasse primeiro comigo, mas né. Será que estava brava por uma confusão (que fica pra outro post) que arranjei com outra amiga dela? A raiva de "podia ter tirado satisfação, mas to melhor sem" bateu. Deixei assim por que já tinha percebido os sinais que eu não conhecia mais ela. Mas bateu raiva mesmo assim.
Passa um par de dias, uma outra amiga, a Coruja, veio perguntar se a Melhor Amiga estava bem, que tinha excluído a Coruja do Face, se ela tava numa fase ruim e tava se afastando das pessoas. Veio a preocupação. E a culpa de ter ficado com raiva quando ela podia precisar de mim. Corri atras, procurei pessoas mais próximas dela, fui olhar de fato o Facebook dela e ver o que tava pegando.
Sério, ela tinha limpado muita gente. Muita gente mesmo! Agora eu tinha meia duzia de amigos em comum agora. Dos duzentos antes, era uma mudança considerável. Curiosamente, a tal amiga que eu briguei também tinha rodado na limpeza. Culpa por ter raiva sem propósito de novo, oi.
Meus pombos correios voltaram, e no meio tempo eu lembrei que parte dos duzentos amigos em comum que tinhamos, ela já tinha falado que não se enturmava tanto, que ia largar essa galera que não era dela, desde 2013. Anos atras, portanto. E com meu pombo correio a resposta foi, "Sim, ela está bem, estamos com os mesmos planos de vida de antes, acabou meu intervalo, até mais." Devia ter chamado de telegrama em vez de pombo correio né?
Tranquilizei os eufóricos, me tranquilizei. Ela tinha feito a sua faxina da primavera e eu fazia parte do passado. E então chegou uma carta dela. Nem de perto um telegrama. Mas contando o que eu pensava também, o que eu percebi com a história. Que a vida das pessoas muda, que as vezes cada um vai pra um lado e isso não necessariamente é ruim. Amigos novos, interesses e passeios diferentes, circulos sociais com costumes variados. Respondi, claro, concordando. Guardarei sua ultima carta, que aqui reproduzo adaptada: " Eu tinha medo que você não fosse entender, mas nisso você não mudou em nada, continua com sensatez. Obrigada por reagir assim, eu estava com medo de te machucar. Você não merece isso"
Portanto, mesmo finais podem ter amor, amizades podem acabar.
Finais podem ser de amizade e amizades são formas de amor.
( E histórias podem ser sobre amizades e ter finais felizes.)

domingo, 24 de janeiro de 2016

só não quando eu quero prestar atenção, pode ser?

Eu tava tentando trabalhar nisso, ok? Eu sei que o meu nível é um pouco mais zuado que todo mundo, eu tô tentando melhorar, mas cara, vocês passaram de QUALQUER limite.
Olha, quando isso acontece no metro, eu só olho por outro lado. Ou se ta realmente muito pesado, eu posso até trocar de vagão. Não tem problema real, por que eu não conheço as pessoas e não preciso estar perto, ou interagir.
Quando são pessoas que eu conheço, e a gente está junto num role, eu posso só ir pra outro pedaço do grupo e falar com outras pessoas , se me incomoda, eu me mudo. Acostumei com isso.
Mas, a maioria das pessoa, não fica fazendo isso 100% do tempo que ta com o resto da galera, até por que, existe essa coisa que são dois indivíduos, então tem personalidades diferentes.
Agora, sabe o que eu tava vendo?
Uma pessoa ocupada demais com a outra, e outra pessoa que eu ouvi a voz duas vezes, quando chegou e outra quando eu briguei com vocês. Só.
Eu estava tentando prestar atenção no que era importante, e vocês quase se comendo na minha frente chamava a minha atenção. Isso incomoda!
E, eu não vou olhar pessoas se pegando, por que pra mim, isso é pessoal, e ver isso é invadir a privacidade das pessoas. Eu não quero ninguém vendo como eu beijo, portanto eu não faço isso com os outros. O que significa que vocês devem conseguir contar nos dedos de uma mão quantas vezes eu olhei pra vocês.
Então me diz, se da pra jogar de novo nessas condições. Eu não consigo. E consigo pensar em três opções. Ou vocês param de se comer quando a gente for jogar, ou ela para de ir, ou a gente escolhe qual personagem vai sair da mesa. Eu ou você.
Só que se vocês forem continuar fazendo isso, e eu obviamente não vou mais, levem em consideração se mais ninguém se incomoda com isso, ou se isso não tem potencial de atrapalhar as coisas.
Por que, assim, vocês são o único casal que se pega tanto assim. E o único que faz isso numa mesa de jogo que eu já ouvi falar. Talvez eu só seja a pessoa que pirou por isso mais rápido. Posso ser a pessoa que se irritou mais. Mas posso não ser a única pessoa que vai querer vocês menos como companhia por causa disso.

PS: fazer isso na frente da ex de um, e do ex peguete da outra, não parece meio sem noção não?
Considerando que um fim não foi exatamente tranquilo, e o outro não foi exatamente conversado?
Eu sei que não era a intenção, mas me da aquele sentimento de "eu já to em outra, e essa eu posso o que eu não podia com você"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Personagem - crypto

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Personagem e Ships

Você já ouviu falar em ships?
eu descobri até que tem pagina na Wikipedia sobre isso. Mas uma ideia básica é que ship são quando as pessoas torcem por algum relacionamento dentro de algo ficcional.
Algumas pessoas fazem o mesmo na vida real, tipo eu só de farra. Imagino que todo mundo tenha feito isso no minimo um pouco, nem que seja com personagem principais que o clichê fosse ficarem juntos mesmo. Só não sabia que era uma pratica tão maior assim.
Enfim. eu Shippo pessoas. E eu considero os meus interesses como Ships também.
Você já gostou tanto de um personagem que queria que ele fosse real pra poder ver, conversar e estar com esse personagem ali, perto de você?
Não sei se tem um nome pra isso, mas eu fiz isso também. Mas normalmente a gente sabe, que se o personagem realmente viesse pro mundo real não ia dar certo. Cara, clichê também, de um personagem entrar ou sair de historias e isso dar loucas aventuras que nos lembram que cada um pertence ao próprio mundo e só.

O que eu quero dizer com tudo isso, é que eu vi um Ship meu sair do papel, e mesmo sabendo que não ia durar muito, eu fui viver as aventuras devidas. Acabou, e eu não teria feito diferente. Todo fim incomoda, mas eu aprendi tanto, que eu nunca vou parar de agradecer por isso ter acontecido.

Uma coisa que aprendi, que tenho que aceitar e não esquecer quando a solidão bater, é que quando eu me interesso por alguém, o que eu quero é estar lá pra conhecer a pessoa, o que ela faz, como ela fala, com quem ela anda e como se diverte, o que a preocupa, o que eu posso fazer pra melhorar a vida dela. Mas tem um lado negativo, eu não quero me comprometer, eu não consigo dizer: Estarei ao seu lado sempre, estarei com você todos os dias da minha vida, me darei de corpo e alma em troca. Não é isso. Eu quero ver a alma da pessoa, e se ela quiser, eu dou um pouco da minha, mas eu não quero obrigatoriedade. Eu quero algo mais como melhores amigos, do que namoro.
Eu sei, isso parece muito estranho nê? Ainda não tenho todas as respostas, mas eu tenho o palpite que a assexualidade não ser algo fácil de lidar não ajuda com a minha falta de vontade de me comprometer.... Palpites.

Enfim, isso me gera duas coisas novas pra lidar. Eu cansei de depender da vida e do destino pra ter um relacionamento maior com essas pessoas, mas não existe uma especie de flerte pra um relacionamento não romântico nem sexual. Então como eu faço isso? Como eu viro pra alguém e falo, "quero conhecer você e estar mais na sua vida, mas não, não tenho nenhum interesse romântico em você, beijos."?

Outra coisa  é que como eu passei todos esses anos aprendendo pela sociedade que estar interessado em alguém significa romance ou sexo, eu acreditava nisso, e a reação normal era flertar. Eu preciso desaprender a flertar com essas pessoas, a não dar em cima, por que essa é a mensagem errada que eu estaria passando. E é a mensagem errada pra pessoa, e é errado pra mim também, que fazendo isso acabo duvidando de novo.

Ai que confusão. Mas eu tenho certeza que aos poucos, eu vou achar uma forma de viver assim, e ter quem eu quero por perto.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Edição, ou Editoração?

Nesse névoa de não saber o que eu quero fazer da minha vida, eu acabei descobrindo um curso chamado Editoração. Forma, adivinha, Editores.
Onde a gente normalmente vê esse nome é em revistas, mas é uma área maior, envolvendo muito os livros.
Eu fiz até uma matéria lá, sobre a História do livro no Brasil. Foi muito interessante, apesar que no final do semestre eu já não tava entendendo mais nada..... muitos nomes, datas e referencias e , pra mim, caos.

Não fiz o curso, vou começar outro nada a ver esse semestre, se tudo der certo. Mas a ideia desse trabalho ainda ficou na cabeça.
Ai recebi uma proposta de escrever uma história em conjunto. Uma ideia linda! Gosto de escrever, então topei
 Eu não soube fazer isso, no fim das contas. É complicado, precisa saber exatamente a story line e os personagens pra funcionar, e eu não sei pegar tudo direito. Acabou que eu fiquei com a parte de editar. Dei palpite na história, dicas e ideias de como continuar, perguntei quando achei que podia ser diferente, olhei erro de digitação, esse tipo de coisas.... Até contratei alguém pra revisar. Super profissional.

Tem quase 10 paginas do Word, mais de 15k de palavras. Eu espero que o primeiro de muitos, com vocês:
Meu orgulho

domingo, 14 de junho de 2015

Morto - Marcelo Quintanilha

Marcelo Quintanilha
Morto

O morto era bem mais velho do que eu
Mas tinha menos idade
Na verdade, talvez nem nasceu
Ou morreu de saudade por ver o seu tempo passar
Ou morreu de ansiedade por não ver seu tempo chegar

O morto era bem mais homem do que eu
Mas nos seus traços de fêmea
Um casal de almas gêmeas num corpo ateu
Talvez fosse mesmo blasfêmia dizer que morreu de amor
Esperando pela cura ou por um leito no corredor

O morto era só um morto comum
Ninguém teve dó, melhor, menos um

O morto era bem mais branco do que eu
Mas em sua pele escura
As marcas da tortura que recebeu
É claro que o negro não sofre preconceito racial
Se o deus branco lhe deu direitos iguais
Aos de um homem normal

O morto era bem mais pobre do que eu
Mas escondia a riqueza
Que vestia num rei trapos de plebeu
Quem sabe se escreveu seu nome na avenida principal
Quem sabe se morreu de fome, ou de frio
Quando abriu o sinal

O morto era assim, mais um que morreu
Tão igual a mim, o morto era eu

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É curioso como eu não gostava dessa musica quando era menor. Essa musica e a Festa no céu, eu pulava, mas gostava muito do CD. Sim, ganhei em CD. Velho né?
Depois eu cresci. E ouvi de novo. E escutei de fato.
Eu não gostava por que não queria pensar nas pessoas morrendo. Mas a delicadeza dessa musica, a provocação, a inteligencia por trás, é que me faz gostar agora. E talvez o fato que é, de fato, uma musica que incomoda.
Eu realmente recomendo esse CD agora, chamado Quinta.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A Magical Black Hole Ring

[tw: sexo]

Você repara nas mãos das pessoas? Eu sou muito ruim nisso, então eu nunca sei se as pessoas são casadas ou estão em qualquer tipo de relacionamento. Mas eu gosto bastante de anéis e outras bijuterias. O problema é que eu canso delas ou perco de alguma forma. O único jeito disso não acontecer é usando sempre e não tirando nem pro banho.

Você viu que eu tenho um anel? Eu isso ele sempre, um anel preto no dedo médio. Eu só não canso dele por que tem uma razão de ser. Apesar de quase ninguém saber disso. É meio que um símbolo das pessoas assexuais.

Agora, vamos lá, não confunda com assexuados, ok? Assexuais não tem vontade de sexo. Assexuadas são as espécies de animais que se reproduzem sem a troca de material genético, como as planárias.

É, sim, acabo de dizer que eu carrego no dedo um cartaz dizendo "eu não gosto de sexo!". E dai? O lado bom de ninguém saber disso é que não tem como me encherem o saco por isso. O lado ruim, é que eu tenho que falar isso, e ter toda a conversa que eu queria colocar aqui. E falar muitas vezes cansa.

O que mais se tem pra dizer sobre isso? Bom, começa com a minha pergunta de, o que é sexo pra você? Qual porcentagem de roupas tiradas já é considerado sexo, ou só "pegação", ou preliminares? O que é incluído em preliminares? É ruim parar entre as preliminares e o sexo em si? O que determina o sexo? Penetração ou algo associado a isso? Qualquer coisa ligada a genitais?

Eu não me considero 100% assexual, por que tem coisas que eu gosto, mas por que o que eu não gosto tende a ser ligado a genitais. Na verdade, eu tenho cada vez menos vontade de fazer qualquer coisa que não possa ser feita em publico, ou seja, qualquer coisa com menos roupas no corpo. Mas eu também tenho uma curiosidade imensa sobre o mundo BDSM. E ai?

( e não me venha com preconceitos e frescuras sobre BDSM, é um conceito tão baseado em comunicação e respeito que devia ser idolatrado, mesmo por quem não curte nada kinki =p)

Só que tem três coisas que tão me pegando nessa história toda.

Primeiro, que minha falta de vontade de sexo não me deixa com menos vontade de ter relacionamentos do tipo longo e duradouro. E como lidar com isso se eu não vou prover uma das bases dos relacionamentos amorosos, que é o sexo? Na teoria, um relacionamento não depende necessariamente de sexo, mas na prática, isso é mais complicado. O que me parece dar duas opções, encontrar e namorar outras pessoas assexuais, ou ter um relacionamento não-monogâmico pra outra pessoa poder ( e ter todo meu apoio e encorajamento para) fazer sexo com outras pessoas.

Segundo, eu ainda quero contato físico. Na verdade, eu gosto tanto de contato físico com alguém que eu confie, que eu durmo melhor e mais rápido se estou dividindo a cama com alguém. Testado e aprovado. O que complica a ideia de ter relacionamentos com outras pessoas assexual, por que a maior parte que eu conheço não gosta tanto assim da proximidade física como eu.

E terceiro vem essa minha curiosidade e rara vontade de fazer sexo. Sim, ser assexual não significa que eu abomino todo o processo, só que eu raramente, ou quase nunca, tenho vontade de fazer algo nesse sentido. Mas as vezes eu quero, e eu posso fazer mesmo que não esteja  exatamente querendo isso. Um problema nisso é que as pessoas, e eu, precisamos entender que querer qualquer coisa em certas condições, não é garantia que isso vai acontecer de novo, com as mesmas condições ou outras quaisquer. Mas eu também preciso aprender que as vezes eu quero sim, e que isso precisa ser dito se eu estiver num relacionamento.


Então fica esse monte de duvidas. O que eu quero? O que eu faço? Eu realmente tenho direito de me chamar de assexual?
Eu tenho a resposta teórica pra todas elas, mas a prática, e saber de verdade, por dentro, é diferente que saber da boca pra fora....

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

You gonna miss me when I'm gone.

No começo do ano eu tava ouvindo The Killers sem parar. E teve um pedaço que ficava na minha cabeça, e eu achei irônico.
"you gonna miss me when I'm gone."
Era irônico por que eu me mudei pra uma republica, onde achei que ficaria até acabar a faculdade.
E que quem eu estava deixando em casa, ia sentir a minha falta. Mas iam mesmo, não importa pra onde eu fosse e por quanto tempo. Ainda assim, irônico.
A republica acabou. Eu tranquei a faculdade. Voltei pra casa.
Mas quem eu abandonei, quem eu acho que sentira minha falta, são vários amigos que deixei de fora, quando me fechei no meu casulo de fim de ano.
Desculpa.... Eu devia avisar as pessoas, não se aproxime, não se interesse, não se importe. Eu não estarei aqui por você. Mesmo que eu me prometa que com você é diferente e que por você eu vou até a China. No fim das contas, eu só vou me enrolar na minha bola, me esconder na minha bolha, fechar minha caverna, e não sair de lá. Nem por você.
Eu irei me fechar no meu medo e na minha dor, irracionais e inesperados.
Eu só sairei pra conhecer novas pessoas, que eu vou achar que não vão perceber que estou em frangalhos. (ou que eu não vou me desapontar se não perceberem.)
Eu só sairei pra fingir que estou bem, fingir que estou enganando alguém com isso, e encontrar mais pessoas que eu direi pra mim: por essas eu vou sair da toca quando precisarem de mim.
E então nada vai mudar.
Desculpa.
Desculpa pela minha bolha. Desculpa pelas suas esperanças.
"you gonna miss me when I'm gone".
And I will be gone.
Always.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ghosts


Está escrito:
"- Está vendo eles ali, andando? Não estou realmente em perigo até enxergar o branco dos olhos deles. É ai que abro meu baú.
Ele soltou uma gargalhada breve e rouca e apontou para um grande baú sou uma janela, tinha sete fechaduras alinhadas. "
Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

(bem) te-vi

Você esteve aqui.
Eu vi seus rastros, seus passos, suas coisas, sinto que esteve aqui.
Faz tanto tempo...
Faz tanto tempo que não te vejo, não estamos bem.

Um rufar de penas, uma cor.
A falta de um passo meu, um som quieto seu.
Cada qual com seu mundo, não é?

Eu sinto a sua falta.
Você é minha metade, afinal, como mais ninguém jamais será.
Mas nos desencontramos, mesmo quando estamos no mesmo lugar ao mesmo tempo.
E alem disso, nos desencontramos. Eu tenho grande culpa nisso. Nunca volto pra você, e não sei mais agir ao seu redor.

Eu não queria usar ninguém como desculpa pelos meus erros, mas sinto que as coisas mudaram pra você, a ponto de se desencontrar de mim também. Tem mais gente na sua vida, e gente que não pertence a minha. Mas sei que também não sou inocente, pois procurei você em outras pessoas também. Ou simplesmente procurei outras pessoas, não sei.
É difícil sermos só nós, com tantos outros envolta, não é?

E eu fugi, eu sei. De você, dos outros, de tudo. Fui para minha caverna e de lá só sai para comer. Mas eu me escondo, quando preciso de você.
Acho que ninguém nunca soube disso.
E são tantas coisas, e um vazio tão grande, e uma espera não sei do que.

Eu só queria ter encontrado você, mas não te vi.

sábado, 31 de maio de 2014

[TW:cantadas]

[TW: cantadas.]
OK, eu vivo numa bolha.
normalmente eu não escuto cantadas de rua, por que uso fone de ouvido ou não ando na frente de lugar Nnenhum em potencial de cantadas.
Mas hoje tão refazendo o asfalto numa Avenida que eu pego pra voltar pra casa. Eu vi, do quarteirão anterior, aquele bando de 5 ou mais homens fazendo nada, aglomerados. E pensei, lá vem merda. E nem tem como mudar o caminho que éo ultimo quarteirão. Ok.
Passei e ouvi os clássicos "oi gatinha" e "que delícia".
Tive duas vontades, muito fortes.
Mostrar o dedo do meio por cima do ombro. Aquele reluzente anel chamando atenção.
E correr pela minha vida.
Por que eu tive medo. Muito medo.
Não de algo acontecer naquela hora, mas se eu mostrasse o dedo do meio, eu temi. De verdade, por mais improvável que fosse (já que tinha outras pessoas mais baixo na rua, tipo, imagino que talvez até os chefes dessa galera), eu temia pela minha vida se eu reagisse.
Eu tremi de vontade de xingar eles, em alto e bom som. Eu tremi de medo.
O que me frustra, tambem, é a falta do que fazer.
O que eu podia ter feito? Eles saíram se sentindo bem, e eu não posso fazer nada??
O nosso trabalho aqui, na faculdade, com amigos e parentes, é importante e traz resultados. Mas como a gente ensina as pessoas de outros círculos sociais que respeito é com, todo mundo gosta, e cantada é falta de respeito?

Agora eu estou em casa, com minha família se preocupando em garantir que eu tenho mais um cobertor pra passar a noite, e não consigo levantar, me trocar e ir dormir.
Eu não consigo pensar em sequer colocar minha calça de moletom em vez dos jeans, que é o meu pijama. Eu não consigo. Eu estou com mais nojo que o normal do meu corpo, por ser mais feminino. Eu odeio isso.
Eu não tenho problemas com meu corpo. Eu tenho problemas ( e muitos) com o que as pessoas vem e esperam por eu ter esse corpo. As vezes, eu simplesmente odeio muito os seres humanos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tu, mais que nada

Eu olho o papel branco. Tanta coisa pra dizer, tanto pra contar, mas nem sei por onde começar.


Queria te fazer uma homenagem, mas não acredito que as minhas palavras sejam o suficiente. Não são boas, não contemplam tudo, não são o suficiente para tudo que você é e tudo que eu sonho que seja.

Queria brigar com você, por tudo que me fez. Me deixou esperando, me deu expectativas, me fez querer. Me fez ter sentimentos. Mas você nem sabe nada disso, então não é bem sua culpa. Mas também não é minha.

Queria te contar minha vida, e perguntar a sua. Assim como você demonstrou interesse em saber, eu demonstro interesse eu contar e perguntar. São tantas coisas a saber, que não tem tempo que permita conversar tudo. São tantas coisas, que não sei por onde começar.

Queria aliviar seus pesos, dar sentido a sua vida, ser parte e participar. Dividir para multiplicar. Dores e sorrisos.




Queria te contar meus sonhos, de chuva e vento, banho frio e travesseiro . E mãos e pele. E frio. E conversas e tardes e manhãs. E maçãs. E tantas coisas.
Sonho te ver e que me veja. Que pertença. Que pluralize.

(Acordei uma vez de um sonho, quando estava andando pela rua. Você estava nele. )

Eu imagino as vezes, você chegar quando não estou prestando atenção, e atrapalhar o que eu estiver fazendo, simplesmente pela sua presença. Eu vejo você sentando do meu lado e perguntando, e brincando e rindo. E depois perdendo o riso e falando e explicando. E dividindo sobre você, e acrescentando em mim.



Também devia te contar sobre os medos. São tantos que gritam para mim. Medo de você, medo por você, medo do que tu pode fazer em mim, medo do que tu pode fazer em você. Medo de como eu tenho medo de, e sobre você.

(O medo de que não temos nada em comum. Do que vamos falar? O que fizemos aquele dia, ou no seguinte. Um dia fica frequente, e então, falaremos sobre o que? )

Apesar de ser algo dito com frequência, é a primeira vez que eu tenho tanto medo assim que alguém me machuque. E basta que você entenda quem eu sou, para que o medo vá embora. Basta que tu me aceite de verdade. Então, basta que eu te entenda também?






Descobri que preciso de tambores tocando para ter coragem de te deixar para trás, ir sem olhar, continuar andando. E encontrando você mais adiante.
O som ritmado faz o sangue fluir nas veias, mantêm o ritmo da minha respiração, me mantêm andando.
E te encontrando mais adiante.
Os passos no chão vão com a musica, e andei.
Gostaria de te contar como foi meu dia hoje, depois que você saiu.
Andei, e andei mais ainda, e a chuva caia mas não me molhava. Cansei, mas andei. E a chuva não molhava. Eu não tinha direito as suas gotas, então evaporavam antes de chegar em mim.
Eu emanava calor.
E encontrando você mais adiante.


A verdade é que fujo de você, cada vez que te encontro.
Mas corro para você cada vez que estamos longe.
Sei que preciso me afastar.
Mas sei que preciso me aproximar.
Tenho que saber quem você é, e se meus medos e sonhos tem fundamento.

E tenho medo. E tenho sonhos.
Mas isso fica para outra noite.

Bom dia.

sexta-feira, 28 de março de 2014

#NinguémMerece

Não me importa os números absurdos, se são exagerados ou não.
A verdade é que existe abuso sexual, de mulheres, de homens, por ser lésbica, por ser gay, por ser atraente, por não ser, por ser trans, por ser jovem, por ser tudo ou por estar passando na rua.

Teve uma campanha na internet e com as hashtags #NinguémMerece, #EuNãoMereçoSerEstuprada em que tu acha os posts sobre isso.

Parei e pensei em como eu posso ajudar. Então armei o cenário mais neutro possível e onde tinha um espelho grande o suficiente, e escrevi nas minhas costas. #NinguémMerece ser #VitimadeAbuso.
A tinta ainda não saiu totalmente, mesmo depois de um banho. Gastei metade de um lápis de olho, isso por que desisti da caneta. Mas tá lá a foto, sem camisa, palavras em negro sobre a pele, boné, óculos e celular.

Tirei de tarde, mandei de noite. E o medo?  Não deixei família ver, muito medo mesmo.
Mandei, dois segundos e alguém manda um chat. O coração voa pela boca. Eu senti ele batendo mais forte contra o esterno.
Abri, falamos sobre feminismo. Pra variar, achava todas as atitudes feministas corretas, mas as ideias do que é feminismo erradas. Espero corrigir isso ainda.
Likes, contar pras pessoas, ver o evento onde organizaram.
Nunca leia os comentários. Nunca!

Tenho medo que usem essa foto sem eu saber, sem eu deixar, pra algo ruim. Tenho medo de sofrer represália por algo que acho certo. Tenho medo de perder oportunidades por ser quem eu sou. Tenho medo de sofrer e não mudar nada, não valer a pena.

Mas tirar a foto, preparar tudo, escrever. Tirar a camisa pra tirar uma foto. Deu orgulho. Foi bom. Eu estou fazendo alguma coisa. Timidamente, passos pequenos. Com muito cuidado e com várias tentativas.
Mas fiz. Está feito, publicado e visto.

Espero que alguém, eu talvez, tenha mais coragem de se vestir como quer. Ser quem quer e não se importar com o que as outras pessoas pensam. Não ter medo.

Pra registrar. Pra não esquecer. Pra dar forças.
http://naomerecoserestuprada.tumblr.com/

terça-feira, 25 de março de 2014

"tchau menino macho" ou o dia em que cortei o cabelo.

Eu conheci uma pessoa, achei que essa pessoa tinha me achado interessante. Cortei o cabelo e tentei entrar no papo de gênero, mas a vida atrapalhou e não consegui. Nos despedimos com essa pessoa me zuando com "tchau menino macho".

E agora eu tô aqui com vergonha do meu cabelo, coisa que não me aconteceu nunca desde que eu comecei a sair do armário.
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Foi assim. Sai da minha sala e vi a pessoa chegando na própria sala.
Fui lá, bater papo. Primeira coisa que me fala é:
-Oque que você fez - mexendo na parte de trás do meu cabelo.
-Tosei.
-Mas assim parece um menino.
-é a ideia.
-Como assim é a ideia? -(Eu acho que o brilho de divertimento apagou dos olhos nessa hora).
- É a ideia oras.
Passou uma outra pessoa, comprimentou e seguiu.
-Viu, tão até te comprimentando como um moleque.
-Eu sei, me lembra uma vez incrível em que eu nem tava fazendo o esforço de parecer, e os caras super estranharam. Foi incrível.
-E hoje você está fazendo o esforço?
-Sim.
Mas ai chegou mais gente, e ficaram conversando sobre relatório de física, e depois foi cada um pra um lado e não consegui conversar direito.

Espero poder ver, conversar e esclarecer hoje.
Espero que de tudo certo, espero não ter tentado algo que vai doer.
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Eu gosto do meu cabelo, tenho orgulho dele curto.
É pratico, é legal, é diferente, e já faz algum tempo que tenho usado assim. Mas quando cresce um pouco, e ai eu corto de novo, as pessoas estranham, e essa foi a primeira vez que isso me afetou.
Espero que seja a ultima.

sábado, 4 de janeiro de 2014

mistura de tudo que é em mim - incompleto

tantos começos possíveis.  E nenhum que me parece bom.
Peguei a cane(c/t)a com a ideia de (des)afogar tudo. Mas o que é tudo? Já não sei.
Só sei que sinto, e muito junto, e tudo tanta coisa.

Sem ela lá, rompe-se o ultimo elo com o passado. O começo, em março, de pessoas que não sabiam exatamente onde estavam indo, mas pelo menos estavam caminhando, e juntas.
Já não vejo nenhum nome de antigamente. Me pergunto o que restou de mim.

Também vejo a minha frente uma encruzilhada. De certa forma, eu que irei escolher. Mas o golpe final cabe ao destino.
De um lado, a promessa do sumiço que acalma as dores, a distância que nos protege de abrir muito as feridas. E eu tenho sentido em mim essas feridas. Por outro, uma nova luta, um novo futuro totalmente incerto. O que irá acontecer nele? Não dependerá mais de mim.
Eu não sei o que quero, se te quero ou só o que você representa pra mim. Mas ainda queria saber, participar. O que somente seria danoso.....

Não sei, nunca soube, o que estou fazendo. Nem me iludi achando que sabia.
   
Não entendo, por que esse cansaço?  Não faço nada, não ando, não penso, durmo muito, e o cansaço e o sono continuam aqui. De onde veio? Por que não melhora?

Faz um ano que algo quebrou, e eu nem sei o que é pra conseguir consertar.
Mas, com certeza, a razão se encontra na viagem. Uma pessoa planejou ir. E outra voltou.

domingo, 22 de dezembro de 2013

22, no dia 22, as 22 horas e 22 minutos

Viu no FB aquelas listas de curiosidades e o diabo² ?
pois me mandaram 11 e depois 11, mas uns ficaram mais leves que outros, e quero salvar todos aqui, então vou dar uma misturada entre eles.

1 - Tenho uma cicatriz no rosto, e você provavelmente nunca percebeu.
2 - Já fiz uma lista dessas um pouco maior, mas não mostrei pra ninguém. Que eu me lembre. E nada serve pra nada.
3 - Eu tive muitas ideias de coisas interessantes lendo as listas das outras pessoas, e claro que deu o branco quando vim começar a minha.
4 - Sou uma pessoa que assiste poucos filmes. Eu gosto dos programas de ver filme com amigos, mas raramente assisto um sem companhia.
5 - WebComic Fanatic.
6 - Livros favoritos, dessa semana: série de Gracelling e Invenção de Hugo Cabret.
personagens muito fortes no primeiro, e uma interação muito boa filme + livro no segundo.
7 - Não gosto de bebidas alcoólicas, nem gosto do efeito que elas causam nas outras pessoas. e não entendo por que as pessoas bebem. Pra mim, é só ruim. e cada dia que passa isso fica mais óbvio e enraizado pra mim.
8 - Gosto muito, muito de cores. Gosto de perceber as cores nas coisas. E gostaria de desenhar melhor, pra poder desenhar só com lápis de cor.
9 - Já vi essa em vários outros posts, mas vou abusar da criatividade dos outros: não me considero tão NERD/Geek como meus amigos. As outras pessoas sempre sabem mais que eu sobre os assuntos, e não me incomodo com isso.
10 - Amo emoticons, como todo mundo já deve ter percebido xD Às vezes é difícil escrever pra alguém e não colocar nenhum. Tipo no email do chefe, essas coisas.
11 - Eu tenho um Whatsapp, e não uso =p Idem com skype.
12 - Não como carne de mamíferos. Sim, bem específico. Mas tenho tentado diminuir a carne de modo geral na minha vida, e recomendado isso aos outros por vários motivos.
13 - Eu tenho a péssima ideia, gravada muito fundo na minha mente, de que eu não vou envelhecer. E eu sei que é ruim, porque aí eu não me planejo pra um futuro distante, no máximo 5 anos. Mas não consigo mudar, e nem sei se quero.
14 - Eu durmo mais do que gostaria. E sempre tenho sono. E isso me incomoda muito porque dormir me dá a sensação de ser meio perda de tempo. Por mais que eu saiba que é biologicamente importante e tals. Mas eu preferia não ter que dormir. ou ter que comer. Ou ter qualquer coisa necessária biologicamente falando.
15 - Se mais gente me visse como um cara eu usaria vestidos.
16 - Falando em roupas, odeio bolsas, amo bolsos! Leve só o que precisa, e junto do corpo. Não tem como esquecer um bolso por aí, tem?
17 - Eu tenho mais ciúmes das minhas coisas materiais do que das pessoas com quem eu me relaciono. Acho que isso tem a ver com o fato que as coisas materiais são Minhas. E as pessoas não.
18 - Fato aleatório, eu tenho algemas.
19 - Eu era muito Freak quando era pequena. Mesmo. estranha pra caramba e sem noção social. e sofri um bocado de zoação também (Não se usava a palavra bullying naquela época). Aprendi com isso, mas bato em qualquer um que falar que bullying "é normal e faz a criança crescer" ou qualquer coisa do gênero. Mesmo.
20 - Não tenho criatividade pra essas coisas, sério. Posso colocar uma música pra preencher espaço? xD
21 - Percebi que essa lista ficou muito mais gorda e pesada que a anterior. Por isso vou terminar contando que existem dois monstros caseiros, pelo menos. Um é o Dr. Bagunços, e é ele que leva as coisas que "eu tinha certeza que estava por aqui em algum lugar". E os duendes, aqueles que dormem nos fios, correntes e fitas que a gente guarda em bolsos, bolsas e mesas, e enroscam tudo. Um dia ainda pego um pra provar. Ou não.
22 - Pra terminar, a lista sem graça de coisas que eu gosto (e sei que não é novidade pra ninguém) : Pepsi, Disney, Chocolate, Gatos, Comics, Livros, Coisas coladas na parede, meu Blog, minhas caixas de lápis de cor, MouseHunt.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Curtas 4

Israel
27/01/12 11:57

- A rua tranquila e um cara desce ela correndo alucinadamente.
- Um homem tocando concha.
- Histórias de terror sobre um hotel em Jerusalém, com o quadro do vilarejo.
- Um chá de folhas de menta hipnótico.
- Atirar uma meia fedorenta.
- O beco escuro e a coragem da Suyan.
- A aventura do isqueiro e o cigarro.
- Um amor, a dúvida do futuro país.
- Kipá de beduíno.
- Tantas coisas, que nem sei.
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09/03/12 17:39

"Muitas pessoas tratam as relações afetivas como transitórias, descartáveis. Eu me pergunto: o que é preciso fazer para que sejam duradouras?
O principal ingrediente das relações duradouras é que elas são fundamentadas nas afinidades, especialmente no que diz respeito ao caráter.
Afora a questão 'escolha do parceiro', temos que pensar bem no que se pode esperar do amor: junto do amado, nos sentimos aconchegados, em paz.
Quem espera que o amor seja o sentimento que irá proporcionar emoções fortes, aventuras sensacionais, será tomado por grande frustração!
O cuidado principal para os que pretendem construir elos duradouros reside na escolha do parceiro: é melhor pensar que as pessoas não mudam!"

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Cachos
27/05/13 15:53

Foi assim.
Eu sempre estou me escondendo, lugar de sempre, num canto da sala. E aí, cabelos ruivos passaram, aquele ruivo meio cobre enferrujado, pele branca, sardas.
Um olhar de quem esqueceu alguma coisa. Deixa os papéis, volta correndo, salta o fio de computador no meio da sala.
Eu torço pra que não tropece e caia. Volta de carteira na mão, paga o xerox, encontra uma amiga, conversam.
E eu só olhando, a beleza dessa vida, que só passa por mim.
Os cachos voltam a andar, saltitando. Vão embora.
Eu não sei desenhar, então escrevo. Enquanto faço isso, vejo lá longe, inspiração.
Tão efêmero sentimento, tão rápida sensação. Tão curto tempo e descrição de algo tão simples e tão belo.
Tão amplo.

domingo, 30 de junho de 2013

Coisas

30/06/13
- Eu odeio quando tenho conversas inteiras na minha cabeça com você, mas quando te vejo, não sei o que falar.
- Eu devia escrever mais, mesmo que ninguém vá ler. Mesmo que eu queime depois. Tipo, o que o psicólogo  (psiquiatra?) fala no filme do Gatsby.
- Me inscrevi em algumas matérias muito legais pro semestre que vem, nenhuma é de farmácia. Espero conseguir fazê-las, mas dependo do Júpiter.
- Espero que me digam logo se eu consigo trabalhar na Livraria, assim eu não me inscrevo nas outras matérias...
- Descobri que falar em primeira pessoa não depende de gênero... Por que o próprio gênero não faz diferença, mas o dos outros faz?  Devia ser tudo igual...
- Andei olhando shows legais, mas isso é uma coisa que não vale a pena com um amigo pouco empolgado. É melhor se for sem companhia nenhuma, ou com alguém com as mesmas vontades que você.
- Tinha uma aranha na minha sala, e não era pequena. Fiquei contente que ninguém teve um ataque nem quiseram matar ela. Aí, ela só ficou lá, na dela, a aula toda XD
- Eu devia ir dormir, mas eu não quero. Por alguma razão desconhecida, eu não quero ir dormir, e não quero acordar depois. oik??

18/07/13
- Depois que mudei meu cabelo, estou cada vez mais desconfortável com meu gênero biológico. Acho que preciso levar um papo sério com a minha médica. Droga, esqueci de novo de marcar os exames dela....
- Tem uma pinta preta na minha perna. Tipo, muito estranha. Mais uma médica... já deu 3 pras férias.
- Por que eu só tenho fome altas horas da noite? Durante o dia, em horários normais, eu não tenho fome, mas quando eu deveria estar dormindo, sim. Meu ciclo circadiano tá muito zuado!
- Férias, finalmente! Vai ter até direito a uma semana longe da civilização, delícia. =D
- Sim, eu preciso diminuir a quantidade de emoticons por página de texto, tá começando a irritar até a mim.
- Às vezes sinto falta de ex. Mas aí lembro (ou tento me convencer) que foi o melhor pra nós dois. E agradeço aos Deuses porque aqui ele não vem. Imagina, ler isso aqui?  Só ia doer mais....
- Wii!! e TV de novo! E Just Dance! E Disney! *felicidade pura*