quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Santuário

Pacífico, local de conforto.
O derramar de preces é o único som além do vento.
Esse vento, suave, às vezes refrescante, como um toque de bênção. 
Sempre podemos encontrar alguém zelando pelo lugar, aberto a ajudar.
As pobres almas que vão lá, procurar soluções, respostas ou simplesmente paz. 
Alguns encontram só o que buscavam, outros, muito mais. Também podem sair com menos do que esperavam, mas nenhum sairá impune. 


Por isso, agradeço aos bibliotecários
Obrigada por cuidar dos meus santuários.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sangue

É o desejo de sangue que me move, mas o desperdício em artifícios foi demais.... Aquelas gotas que gastei, para não demonstrar o frio de minha pele, aquele sangue pra esconder a brancura do meu ser....
Só para não te assustar.
É o desejo de teu sangue que me atrai, pura tentação.
Mas, então, descobri que não tem mais sangue, não és humano.
Outra criatura da noite, que se esconde como lobo em pele de cordeiro, tão suave.
Se eu soubesse, se você deixasse eu saber, tanta coisa seria diferente...
Sem os truques baratos, só nós, e talvez uma boa refeição.  Caçar em dupla pode ser divertido, sabia?
Mas eu estava com fome, meu querido... Gastei sangue demais pra me aproximar de você.
E sabes como é a Fome.
Saí, fugi, corri e cacei. Perdi a noção de humanidade por uma noite.... E, ao amanhecer, Eles chegaram.
Porque não me controlei?
Por que você tinha que vir também?
Perder esse corpo, essa força que me faz andar sobre a terra, eu não me importo mais.
Mas não, sabendo que perdi em vão.
Por não saber.
Por você ser bom demais em se camuflar.
Por você vir me matar.

"Janelle se agachou sobre a capota do Cadillac 74 ao seu lado, com as garras ainda expostas, pingando. Havia sangue em sua jaqueta tambem, mas não podia ser notado sobre o couro preto. Ela deu um sorriso longo e fino para Lisé, igual ao sorriso de um gato olhando um camundongo ferido que tenta fugir." - Vampiro, A Máscara. 


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Outra

Conheci um cara e nos apaixonamos.  Fácil assim.
Por sorte do destino, saímos algumas vezes.
O detalhe é que ele é gay. E  tem namorado.

Calma, a desgraça não é tão grande. Eles estão em um relacionamento aberto.
Bom, isso antes de eu conhecê-lo. O namorado, quero dizer.

-
Pois é, conheci dois caras. E nos apaixonamos. Simples assim.
Pra minha sorte, eles já namoravam. E são gays.
Mas não tem problema, formamos um trio ótimo.

-
Os meus parentes? Ah, não, eles devem achar que sou solteira. Mas sim, eles conhecem minha família. Apresentei como amigos. Só pra não causar confusão.

-
Meus amigos? Sabem sim. Até descobri melhor quais são amigos mesmo, quais tem preconceito e coisas assim. Perdi poucos amigos até.

-
A Outra?  Pois é, eu sou " A outra". Meu apelido, já que eles estão namorando, e nos relacionamentos comuns eles estariam "traindo" um ao outro comigo.
Achou confuso?  Você se acostuma.

sábado, 10 de setembro de 2011

Abraço

O primeiro abraço foi banal.
Desses que se dá a toda gente
num cumprimento informal.

O segundo veio num repente,
com grande susto e emoção,
regendo um grand-final
da orquestra do coração.

O terceiro... premeditado...
com carinho, com ardor,
abraço bem apertado,
brincando de ter amor.

O primeiro foi-se embora
da forma como chegou.
O segundo ri até agora
do susto que levou.
O terceiro ainda chora
a saudade que deixou.
        (Vera Regina)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tão simples... Não é?

Afinal, o que é isso?
Existem zilhares de tipos, de formas, de jeitos.
Mas eu não sei o que significa.
Não é algo que os animais tem. Que eu saiba, é único dos seres humanos.
Isso significa que tem a ver com sentimentos?
Mas por que assim?

Eu também não entendo essa vontade específica, essa necessidade absurda que cresce em mim.
Como se nunca fosse o suficiente.
Por que isso acontece?

Algo tão simples, mas cada vez tem uma razão. Pra cada um, tem as suas respostas.
E as minhas? não sei onde estão, mas continuarei a procurar em você.
Afinal, o que é só mais um beijo?

domingo, 4 de setembro de 2011

Expressão

(Fui dormir às 4h, acordei às 9h, fiz prova, tomei um nabo, andei, atrapalhei meu amigo, esperei, comprei um livro, vi o mesmo filme de novo, quebrei esperanças e voltei pra casa.
Nem te conto como foi ontem...)

Seres humanos são curiosos.... Se relacionam uns com os outros das mais variadas formas.
Tem tantos sentimentos possíveis, agrupados em meia dúzia de palavras.
Tentando sempre se expressar nessa forma limitada, a linguagem. Seja com qualquer um, ou combinação dos 5 sentidos.

Músicas, Pinturas, Fotos, Livros, Doces, Poesias, Filmes, Desenhos, Esculturas, Colagens....

São amplas as formas de expressão. Quem diz que as pessoas vão entender exatamente o que vc quis dizer?
As palavras são as mais enganosas. Pois criam uma confiança, parecem fáceis de interpretar, mas uma pequena mudança no tom de voz, nas pausas e palavras usadas, podem significar tudo.

Listei em poucas palavras meu dia. Alguns vão se identificar, talvez. Outros vão saber, sim, algumas das referências, mas não todas. Outros ainda, o máximo que vou ter de reação será um "dar de ombros".

O que me leva a pensar que tudo depende de pra quem vc quer se expor.
Se for o mundo, muita gente não vai entender, ou  entender errado, ou algo totalmente diferente.
Se for os amigos, muitos vão entender com bastante precisão.
Se for uma pessoa, você e essa pessoa, terão que trabalhar juntos e com interesse pra transmissão da ideia ocorrer perfeitamente. Passível de falhas mesmo assim.


Tomei nota: Cuidado com o que se faz, pense quem vai receber as suas ideias, pra deixar da forma que se entenda a sua ideia, e não a ideia que se tem da ideia....
Boa Sorte

PS: Se ficou confuso, desculpa, não sei me expressar   =P

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Palavra, Epígrafe, Fala

Uma só palavra tua
E o viver monótono que me acompanha
Ganhará as cores do arco-íris,
Subirá as montanhas do Nepal,
Atravessará a Cordilheira dos Andes,
Cruzará o Canal da Mancha
E se perderá no Triângulo das Bermudas.

Uma só palavra tua
E o muro de Berlim que me rodeia cairá por terra,
Libertando-me das garras do inferno de Java,
Abrirá minhas asas para o vôo de Ícaro
E, queimando meus temores,
Fará pousar meus amores na clareira recém-aberta,
Desenhada pelo teu eterno sorriso de Mona Lisa.
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Epígrafe

Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...

Homem, que fazes tu? Pra que tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, qua a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
(Eugenio de Castro)
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Fala

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade)
(Orides Fontela)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Shakespeare

"You say you love the rain, but you open your umbrella when it rains.
You say that you love the sun, but you find a shadow spot when the sun shines.
You say you love the wind, but you close the windows when the wind blows.
This is why I am afraid, you say you love me too."

(William Shakespeare)