Eu olho o papel branco. Tanta coisa pra dizer, tanto pra contar, mas nem sei por onde começar.
Queria te fazer uma homenagem, mas não acredito que as minhas palavras sejam o suficiente. Não são boas, não contemplam tudo, não são o suficiente para tudo que você é e tudo que eu sonho que seja.
Queria brigar com você, por tudo que me fez. Me deixou esperando, me deu expectativas, me fez querer. Me fez ter sentimentos. Mas você nem sabe nada disso, então não é bem sua culpa. Mas também não é minha.
Queria te contar minha vida, e perguntar a sua. Assim como você demonstrou interesse em saber, eu demonstro interesse eu contar e perguntar. São tantas coisas a saber, que não tem tempo que permita conversar tudo. São tantas coisas, que não sei por onde começar.
Queria aliviar seus pesos, dar sentido a sua vida, ser parte e participar. Dividir para multiplicar. Dores e sorrisos.
Queria te contar meus sonhos, de chuva e vento, banho frio e travesseiro . E mãos e pele. E frio. E conversas e tardes e manhãs. E maçãs. E tantas coisas.
Sonho te ver e que me veja. Que pertença. Que pluralize.
(Acordei uma vez de um sonho, quando estava andando pela rua. Você estava nele. )
Eu imagino as vezes, você chegar quando não estou prestando atenção, e atrapalhar o que eu estiver fazendo, simplesmente pela sua presença. Eu vejo você sentando do meu lado e perguntando, e brincando e rindo. E depois perdendo o riso e falando e explicando. E dividindo sobre você, e acrescentando em mim.
Também devia te contar sobre os medos. São tantos que gritam para mim. Medo de você, medo por você, medo do que tu pode fazer em mim, medo do que tu pode fazer em você. Medo de como eu tenho medo de, e sobre você.
(O medo de que não temos nada em comum. Do que vamos falar? O que fizemos aquele dia, ou no seguinte. Um dia fica frequente, e então, falaremos sobre o que? )
Apesar de ser algo dito com frequência, é a primeira vez que eu tenho tanto medo assim que alguém me machuque. E basta que você entenda quem eu sou, para que o medo vá embora. Basta que tu me aceite de verdade. Então, basta que eu te entenda também?
Descobri que preciso de tambores tocando para ter coragem de te deixar para trás, ir sem olhar, continuar andando. E encontrando você mais adiante.
O som ritmado faz o sangue fluir nas veias, mantêm o ritmo da minha respiração, me mantêm andando.
E te encontrando mais adiante.
Os passos no chão vão com a musica, e andei.
Gostaria de te contar como foi meu dia hoje, depois que você saiu.
Andei,
e andei mais ainda, e a chuva caia mas não me molhava. Cansei, mas
andei. E a chuva não molhava. Eu não tinha direito as suas gotas, então
evaporavam antes de chegar em mim.
Eu emanava calor.
E encontrando você mais adiante.
A verdade é que fujo de você, cada vez que te encontro.
Mas corro para você cada vez que estamos longe.
Sei que preciso me afastar.
Mas sei que preciso me aproximar.
Tenho que saber quem você é, e se meus medos e sonhos tem fundamento.
E tenho medo. E tenho sonhos.
Mas isso fica para outra noite.
Bom dia.
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<3
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