Ela andava pela rua, era possível ver que procurava o número das casas.
Então, num só movimento, ela deixa o ar escapar em um "Ai!" e trinca os dentes, se dobra ao meio, e os braços envolvem o abdômen.
Imediatamente depois, os joelhos se dobram e ela cai no chão, de olhos fechados.
Ela puxa uma grande quantidade de ar, mas sua boca fica aberta, sem emitir um som.
Prende esse ar por pouco tempo, soltando tudo num leve gemido, trincando os dentes novamente.
Eu ainda posso vê-la, deitada no chão sujo da rua, dobrada sobre si mesma, as mãos segurando o próprio corpo com força, os olhos fechados firmemente também.
Em instantes, toda a força, nos dentes, nos lábios, nos dedos, na sobrancelha, em cada músculo visível.
Toda a força se esvai. Ela estava desmaiada quando meu ônibus saiu.
Não sei se alguém a socorreu, não sei o que aconteceu com ela, não sei o que acontecia em volta durante esses rápidos segundos.
Tão rápidos, que não fiz, não pude fazer nada além de ver e gravar cada detalhe possível na minha mente.
Está viva? Está bem? Alguém sabe o que aconteceu com ela? Nada disso saberei.
Só sei o que vi.
A dor, perdida na calçada.
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