segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Reflexos - Saudades e Culpa

Saudade de quem eu era, um ano atrás. Mais sem saber quem eu sou, mas eu era uma pessoa melhor. Hoje eu sinto culpa. E medo (Medo eu sempre senti, de várias coisas). Eu estou mudando, mas às vezes penso que eu largaria o que eu ganhei, pra ter de novo o que eu perdi. Queria passar pela mesma experiência do ano passado, mas ser uma pessoa melhor agora. Dessa vez, eu me concentrei demais em mim, e fiquei uma pessoa ruim. E agora que percebi isso, me sinto mal. Eu não quero ser assim. Não queria ter sido assim. Quero voltar atrás, e não fazer o que fiz, não ser egoísta.
Sinto falta dos amigos. Sinto como se todos estivessem mais distantes agora. E sei que eu que afastei a todos. E me odeio muito por isso.
No começo do ano, viajei pra trabalhar. Eu diria que isso subiu a minha cabeça como nenhum álcool conseguiu fazer até hoje. Mesmo lá, eu me achava o máximo. Voltei, e ainda achava que era super, só por que trabalhei fora por uns meses, e boa parte foi treinamento. E várias broncas, e vários comentários que eu devia usar pra melhorar, e não escutei.
Sinto culpa.
Voltei e não sabia mais quem eu era.
E abandonei tudo que me dizia quem eu era.
E por isso sinto culpa e remorso.
Eu abandonei realmente tudo, e cara, como isso foi idiota! Até meus livros, meu mundo, meus desenhos, meu quarto, meus amigos, minha faculdade. Eu abandonei, de uma forma ou de outra.
Meus sonhos foram outros, por um ano inteiro.
E cara, como sinto culpa.
Eu não sabia que era capaz de sentir tanta culpa. Não sei me perdoar, mesmo quando as outras pessoas me perdoam.
Eu sei que aprendi um monte, não foi só desgraça, é verdade. Descobri coisas novas, descobri coisas sobre mim, aprendi, me soltei, mudei. Mas, tem sempre aquele "E se?".
Ele tem razão, "E se?" incomodam muito.
E se eu tivesse feito todo o crescimento que fiz esse ano, em vários, suavemente, sem perder e sem largar tudo o que fiz? Sem ter sido idiota como fui? Sem ter feito o mal que fiz? Ouvindo quem tentava falar comigo, ou vendo o que estava fazendo? E se eu não tivesse jogado tudo fora?
Cara, isso dói.
Será que valeu a pena?
Tô achando que não.
Mudei, mas queria ter mudado com as coisas a minha volta, aos poucos, absorvendo o que eu tinha de bom, nessa vida que eu estou construindo.
Mudar é bom, mas dar a louca não. Mudar e construir é bom. Perder tudo e se arrepender não.
Como eu me arrependo.
Eu já disse, mas como eu sinto falta de quem eu era, exatamente um ano atrás.
Eu estava em um avião, dia 9 de dezembro. Indo e me deixando pra trás. Me deixando pra trás, junto com tudo.
Ir foi muito muito legal. não me arrependo de ir, de viver o que vivi. Me arrependo, sim, de quem virei por ter vivido o que vivi. Me arrependo de ser quem eu sou, do preço que paguei por isso.
Não, não me arrependo de ser quem eu sou. Me conheço mais, me aceito mais, mesmo com todos riscos, medos e problemas, acho que até me amei mais, e isso foi um problema.
Me amei mais, até que percebi o que fiz, quem eu fui.
Sabe uma coisa que incomoda? Eu não percebi, me mostraram.
Eu não fui capaz de perceber, de entender o tamanho da merda que fui. Precisei que alguém me odiasse, que alguém me explicasse o porquê e apontasse o que devia ser óbvio.
Eu realmente me odeio por isso. Por ter me cegado no meu amor próprio e não ter visto todas as pessoas a minha volta.

Falaram de suicídio no meu FBug hoje. Calma, pessoa paranóica que acha que eu vou me suicidar. Calma.
Mas o ponto é o seguinte. E nunca vou, pela mesma razão que eu não vou fazer meu grande segredo (Não acredito que estou contando isso, vai tornar Realmente impossível).
Eu sempre tenho a ideia de um dia, largar tudo. Tudo, celular e contatos e amigos e família, e ir embora. Só ir embora. Andar pra qualquer lugar, e andar, e andar, e deixar o vento me levar e não olhar pra trás.
Mas nunca fiz, e vi que não posso fazer, porque as pessoas se importam comigo. E eu me importo com as pessoas, apesar de não admitir isso pra mim.

Essa culpa de ser uma pessoa ruim me mostrou isso, que mais gente se importa comigo, e mais do que eu tinha percebido.

Culpa.

E aí, eu luto contra a culpa, pra que ela não me prenda no chão e que ficar em casa se lamentando e aporrinhando as pessoas não vai resolver. E vivo alguns dias.
E aí tudo volta. Algo que eu vi e me lembra qualquer pessoa que eu machuquei (sim, foi bem mais do que uma), algo que eu escuto, alguma situação, qualquer coisa é um gatilho pra tudo voltar.

Sabe o que incomoda também? Eu não sei o que fazer. Eu não sei como desfazer, como mudar, como melhorar, o que se passa, o que eu posso ou não fazer, o que só vai piorar, o que vai melhorar.
Eu não sei!
Eu não sabia, e continuo não sabendo.
E aquela sensação de que não aprendi nada.
Que não cresci.
Que, justamente por isso, não, não valeu a pena tudo de ruim que fiz.
Porque eu fui uma pessoa ruim e pronto, como se não tivesse aprendido com meus erros. Porque de que adianta a culpa, se eu ainda não consigo ver quando erro? Quando não consigo prever e evitar um erro? Ou remediá-lo, ao menos, depois?
Não aprendi, e só fui ruim.
E não quero ser de novo.

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