sábado, 25 de outubro de 2014

Tempo Amargo

Acordei com um gosto amargo na boca.
Eu não devia ter dormido. Acordar me fez lembrar por que.
Tirou aquela nuvem de sono que enevoava minha mente, e eu lembrei por que eu não queria pensar.
Não dormir me dava a sensação de falta de realidade, que eu ia acordar e perceber que nada aconteceu, que foi um sonho ruim, que tudo podia magicamente se resolver. E acordar pra realidade faz isso desaparecer.
Eu não queria pensar, eu não queria lembrar, eu me sinto mal ao fazer isso.
Estou me sentindo mal agora, mesmo com sono novamente, pois sei que não se pode mudar o passado. E pensar nele não faz bem, e eu sei disso, mas não consigo parar.
Todas as coisas que podiam ser diferentes, tudo que eu podia ter feito diferente ou que os acontecimentos poderiam ser diferentes. Qualquer pessoa que tivesse virado o rosto um pouco mais, olhado um pouco mais, e tanto teria mudado.
Mas não foi.
E eu revejo tudo isso na minha cabeça, mesmo sabendo que é inútil.
Mesmo sabendo que nada vai mudar, e que foi como foi e não posso fazer nada pelo passado, não paro de pensar.
Eu queria não ter acordado.
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Foi ontem a noite.
Parece a tanto tempo. Mas não se passaram 24 horas.
Tanta coisa acontece em tão pouco tempo.
Foram algumas horas que mudaram tudo, e não se passou tanto tempo assim.
Mas a ansiedade, o nervosismo desde então, faz parecer que tudo aconteceu a muito tempo. Fez o tempo passar mais devagar.
E tão rápido, que não lembro o que aconteceu desde ontem.
Só não sei, só não importa.
Nada mais importa, por que nada mais será igual.
Desde ontem, a tanto tempo atrás.
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O que assusta, é como o passado muda o futuro.
Hoje não foi nada. Nada aconteceu, nada que importa entre ontem e amanhã.
Nada que pode mudar mais o amanhã, do que já mudou ontem.
Tudo o que eu não posso mudar de ontem, por que não tem como voltar ao amanhã de ontem.
Ontem tudo mudou, e não sei o que esperar de amanhã, não sei como será, e fico com a respiração presa, suspensa entre ontem e amanhã.
Respiração presa, olhar suspenso, a mente em névoa, pois não sei o que virá.
O que assusta, é não saber do futuro, já que sei o passado. E ele mudou.

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Eu acordei com um gosto amargo na boca.
Eu acordei com um tempo amargo.

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